Sentada nessa mesa te enxergo. Na verdade só me sentei aqui para poder te ver. Olho fixamente para as suas costas, é, você está de costas para mim. Ri, conversa e bebe uma cerveja com seus amigos, você parece feliz. Até sabe que estou aqui, sei que me viu apesar de ter fingido que não.
Tenho amigas a minha volta, conversam sobre algum assunto que não me é interessante, algum assunto que não acompanho.
Tombo a cabeça para trás, meus olhos se fecham e minha mente começa a divagar.
Não mais vejo suas costas, não estou mais no bar, não ouço mais a voz de minhas amigas, o barulho dos copos ou o cheiro nauseante do cigarro. Me vejo sentada em um banco, um banco num jardim florido, bonito.
Estou com uma saia rodada, uma blusa floral trespassada, sapatilha rosa nos pés e uma flor me prende os cabelos.
Não sei o que faço ali, mas me deixo ficar sentada olhando ao redor, esperando algo acontecer.
Sinto-o chegando, percebo seus passos, sei que é você, esse barulho, esse modo de andar, esses passos. Só pode ser você. Sinto seus braços me abraçando, seu queixo roçando meu pescoço, a barba por fazer me arranhando. Sinto-me envolvida por seus braços, viro a cabeça, vejo sues olhos brilhando, seu sorriso. Sorrio, sinto meu coração se acelerar, a respiração ofegante, percebo meus lábios se entreabrindo, se aproximando, úmidos de desejo.
O beijo nos envolve, nos aquece, nos excita. Estamos entregues um ao outro.
Abro os olhos. As meninas ainda conversam, sobre a novela? Maquiagem? Outros caras? Não sei.
A mesa em minha frente está agora vazia, você se foi e eu nem ao menos pude me despedir.
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